Lésbicas lindas

Lésbicas lindas
As imagens esteriotipadas de lésbicas com aspecto masculino e vestindo roupas masculinas tendem a desaparecer

sábado, 13 de agosto de 2011

Já era simpatizante, mas nunca tive nenhuma experiência homossexual.


Musa, delegada será madrinha da parada gay na Bahia

"Gays, travestis e lésbicas têm “verdadeira adoração” pela policial", diz ativista, que justifica escolha citando defesa de homossexuais por Patrícia Nuno

Thiago Guimarães, iG Bahia 13/08/2011 07:00
Texto:
Foto: Thiago Guimarães/iG
A delegada Patrícia Nuno, de Salvador: “Ela é meio ‘traveca’. As gostosonas têm um apelo sexual considerável, muito associado à cultura trans", diz ativista
Uma delegada de 40 anos será madrinha da 10ª edição da Parada Gay da Bahia, no próximo dia 11 de setembro, em Salvador. Conhecida como “delegata”, Patrícia Nuno se diz feliz com o convite do GGB (Grupo Gay da Bahia), organizador do evento. “Já era simpatizante, mas nunca tive nenhuma experiência homossexual. Gosto quando já vem com o acessório natural”, diz.
A atuação da delegada na apuração de crimes contra homossexuais motivou o convite, conta o coordenador do GGB, Marcelo Cerqueira. A Bahia, segundo a ONG, lidera o ranking dos homicídios contra gays, travestis e lésbicas praticados no Brasil em 2010 – 29 casos, 11% do total de 260 ocorrências.
Já era simpatizante, mas nunca tive nenhuma experiência homossexual. Gosto quando já vem com o acessório natural”, conta delegada
Mas o ativista acrescenta outro motivo: “Ela é meio ‘traveca’. As gostosonas têm um apelo sexual considerável, muito associado à cultura trans. E os gays, travestis e lésbicas daqui têm verdadeira adoração pela delegada.”
Patrícia ajuda a alimentar o culto à sua pessoa. Pede para olhar as fotos da reportagem, não hesita em posar com a pistola .40 e diz malhar de “domingo a domingo”. “Puxo peso, mas nem tanto porque estou mais coroa”, conta, três hérnias depois, a mãe de dois filhos, de 15 e de 11 anos, hoje separada.
A delegada diz ainda ter “grandes amigos homossexuais”, e não hesita na defesa do casamento gay. “É uma questão de respeito e igualdade”, afirma. Em outros temas polêmicos, contudo, é mais conservadora: diz ser contra o aborto e não ter dados suficientes para opinar sobre a descriminalização da maconha, por exemplo.
"Panteras da Bahia"
Foto: Arquivo pessoal
A delegada em um carro da polícia, durante operação
Em agosto de 2009, a delegada estourou um cassino clandestino na Graça, bairro nobre da capital baiana. Uma semana depois, veio o apelido de “delegata”, em reportagem que a incluía em seleto grupo de “panteras” da polícia baiana – dos 896 delegados da Civil no Estado, cerca de 400 são mulheres. Patrícia reclama e diz que o tom carregado de erotismo do texto lhe tirou “até noites de sono”.
O fato é que a reportagem turbinou a popularidade da policial. Um mês após a veiculação, ela assinava sua ficha de filiação ao PMDB, sigla pela qual concorreu em 2010 a uma vaga na Assembleia Legislativa. Obteve 6.560 votos e o posto de suplente. “Não tinha experiência nem dinheiro”, diz.
A fama também cresceu após chefiar delegacias de apelo midiático, como a da Barra, bairro nobre de Salvador, e a dos Barris, responsável pelo Pelourinho. “Sempre trabalhei muito com a imprensa”, afirma. Na Barra, onde passou seis anos, montou equipe de 12 policiais que até hoje chama de “meus meninos”.
Patrícia é filha única de uma assistente social e de um advogado. Natural de Salvador, estudou em colégio jesuíta, formou-se em direito e logo prestou concurso para a corporação. O interesse pela atividade, diz, veio do “gosto por esmiuçar os fatos”, já que não tem parentes próximos policiais.
Os 16 anos de polícia levaram recentemente a policial ao divã. “Estou na análise trabalhando para desconstruir um pouco a delegada”, afirma, citando a necessidade de dissociar a vida profissional da pessoal. Os filhos, segundo ela, admiram a atividade da mãe, mas não manifestaram interesse pela carreira na segurança pública.
Após chefiar importantes delegacias de Salvador, Patrícia atua desde abril deste ano como plantonista em Lauro de Freitas, na região metropolitana, em turnos de 24 horas de trabalho por 72 de descanso. Não associa diretamente o novo posto à militância na oposição na última eleição, mas reconhece estar na “geladeira”.
Foto: Divulgação
A delegada, durante campanha eleitoral em 2010, na oposição ao atual governo do Estado
Ela diz também que se desfiliou do PMDB e que a política não é mais sua prioridade. Isso embora já tenha, segundo ela, recebido sondagens de partidos para as eleições municipais de 2012. “Não descarto (nova candidatura), mas não é o projeto principal da minha vida hoje.” Mas o tom de campanha, crítico à gestão do governador Jaques Wagner (PT), permanece: “Os profissionais de segurança continuam com o salário baixo e sendo muito maltratados.”
Patrícia prefere falar do trabalho de ressocialização de presos que está promovendo na carceragem do DP de Lauro de Freitas, com sessões de leitura e evangelização. “A modéstia passa longe quando falo do meu trabalho”, afirma a delegada, que diz ser religiosa espírita.
Outra preocupação é o discurso que fará no dia da Parada Gay de Salvador, para o qual já começa a se aquecer nas redes sociais, com publicações antihomofobia em sua página no Facebook, um de seus hobbies prediletos. No perfil em que mantém mais de 3.600 amigos, a delegada se apresenta em frente a uma delegacia, com chapéu de cowboy e blusa de oncinha. Nesta sexta-feira (12), deixou seu recado aos seguidores: “Que tenham um agradável fim de semana. Sugestão: mergulhar na leitura, pra não se afogar na cachaça”.
Foto: Divulgação
Cartaz da Parada Gay de Salvador

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

'Without men'

01/08/2011 06h06 - Atualizado em 01/08/2011 08h56




Filme com cena lésbica de Eva Longoria estreia nos EUA









'Without men' narra história de cidade povoada somente de mulheres.
No longa, atriz de 'Desperate housewives' se apaixona por outra mulher.
Da Agencia EFE



Kate del Castillo e Eva Longoria em cena do
filme 'Without men' (Foto: Divulgação)
O interesse despertado pela cena lésbica de Eva Longoria com a atriz mexicana Kate del Castillo contagiou a estreia nos Estados Unidos na última sexta-feira (29) da comédia 'Without men', uma trama que mostra como seria uma sociedade formada só por mulheres.
Eva se distancia de seu conhecido personagem no seriado 'Desperate Housewives' para encarnar uma viúva que se torna líder das mulheres em um povoado latino-americano onde todos os homens são recrutados por guerrilheiros. A situação de abandono acaba fomentando o amor entre vizinhas.
Cineasta nega discurso feminista
A diretora Gabriela Tagliavini foi a responsável pela adaptação da história, baseada no romance 'Tales from the town of widows' de James Canon. 'É uma proposta humana e social, mas segue um estilo ousado de comédia. Nos agarramos aos clichês e rimos deles', comentou a cineasta que afirmou que 'não é um drama lésbico' nem um discurso feminista.





Eva Longoria no lançamento de 'Without men'
em Los Angeles (Foto: Reuters)
'É uma forma de se comunicar e de lidar bem com o tema', disse Gabriela, confessando que o projeto caiu em suas mãos depois que o autor da obra tentou sem sucesso envolver o cineasta espanhol Pedro Almodóvar.
'Tive sorte por ele não ter respondido', admitiu a diretora de 'Ladies' Night' (2003), que chamou Eva Longoria para protagonizar o longa.
A atriz 'gostou muito do roteiro', disse Gabriela que, embora com um orçamento limitado, apostou nas relações pessoais para formar um elenco de peso, que conta com Eva, Christian Slater, Óscar Núñez, Kate del Castillo, María Conchita Alonso, Fernanda Romero, Judy Reyes e Mónica Huarte, entre outros.
'Paguei muito pouco a todo mundo, eles aceitaram fazar o filme por paixão. As mulheres se interessaram bastante', assinalou a produtora.
Cena lésbica
As filmagens foram realizadas em junho de 2010 em um set situado em Ojai, no sul da Califórnia, coincidindo com as férias de Eva Longoria. A rodagem transcorreu em harmonia, apesar dos temores da diretora de acontecer um possível choque de egos.
'Éramos cerca de 30 mulheres, e eu esperava que alguma agisse como diva, mas não tivemos problemas de convivência. Rimos e tagarelamos muito', afirmou.
Com relação à já famosa cena sexual entre Eva e Kate, exibida no trailer do longa-metragem, Gabriela reconheceu que as duas atrizes estavam 'um pouco nervosas e riam'.
'Primeiro falei com cada uma das duas separadamente sobre como seria seu personagem. O de Kate era mais masculinizado e já tinha tido relações com mulheres, o de Eva era casada e uma falsa beata. Acho que ficou lindo e muito romântico. Se tivesse acontecido de verdade também teriam ficado nervosas', disse.
'Without men' estreou na última sexta-feira (29) em Los Angeles, Nova York e Chicago e nas próximas semanas estreará nas telas de San Diego (Califórnia), San Antonio (Texas) e Miami antes de ser lançado em DVD em setembro. O filme deve chegar aos cinemas brasileiros em outubro e será promovido também na Europa, Austrália, China e Oriente Médio.




Lesbian kissing brought to you by RedTube - Home of free porn videos



Two sexy lesbians kissing brought to you by RedTube - Home of free porn videos






sábado, 30 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Homofobia= Ódio, preconceito, intolerância











Violência contra lésbicas no Brasil


Ser lésbica é estar exposta a diversas formas de violência ao assumir sua condição, por isso muitas são praticamente invisíveis na sociedade. Por serem mulheres e homossexuais, as lésbicas sofrem duplamente o problema da violência e da discriminação sendo no ambiente familiar a forma de violência mais grave.
Com auxilio dos direitos humanos os movimentos homossexuais têm combatido de forma enfática as práticas de violência contra homossexuais. A própria Subsecretaria de Direitos Humanos da Secretaria Geral da Presidência da Republica participa dessa luta ao desenvolver ações como o programa "Brasil sem Homofobia", lançado em maio de 2004. Um relatório feito pelo Grupo Gay da Bahia mostra que entre 1980 e 2005 mais de 2.511 homossexuais foram assassinados no Brasil e destes 3% eram lésbicas sendo que muitas delas também foram vitimas de estupro antes de serem mortas que, 60% das lésbicas no país já sofreram algum tipo de agressão por causa da sua condição sexual, o relatório anual do Centro de Justiça Global, revela que três homossexuais femininos foram mortos, sendo no Nordeste e no Sudeste, as regioes com maior incidência, as mulheres homossexuais são mais vítimas na esfera doméstica com 22,4%.
http://paralatibum.loveblog.com.br/


O que é HOMOFOBIA?


Segundo a Wikipedia, a enciclopédia livre:  

Homofobia (homo, pseudoprefixo de homossexual, fobia do grego φόβος "medo", "aversão irreprimível") é uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação a lésbicas, gays,bissexuais e, em alguns casos, contra transgêneros e pessoas intersexuais. As definições referem-se variavelmente a antipatia, desprezo, preconceito, aversão e medo irracional. A homofobia é observada como um comportamento crítico e hostil, assim como a discriminação e a violênciacom base em uma percepção de orientação não-heterossexual. Em um discurso de 1998, a autora, ativista e líder dos direitos civis, Coretta Scott King, declarou: "A homofobia é como o racismo, o anti-semitismo e outras formas de intolerância na medida em que procura desumanizar um grande grupo de pessoas, negar a sua humanidade, dignidade e personalidade." Em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.
Entre as formas mais discutidas estão a homofobia institucionalizada (por exemplo, patrocinada por religiões ou pelo Estado), a lesbofobia, a homofobia como uma intersecção entre homofobia esexismo contra as lésbicas, e a homofobia internalizada, uma forma de homofobia entre as pessoas que experimentam atração pelo mesmo sexo, independentemente de se identificarem como LGBT.
Duas palavras são originárias de homofobia: (adj.) homofóbica e homofóbico (n.), termos designados para pessoas que apresentam atitudes homofóbicas ou que pensam dessa maneira.


O O

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poesia Lírica Grega

SAFO - A POESIA LÍRICA GREGA















1. A POESIA LÍRICA GREGA - SAFO
Na Grécia Antiga deu-se o que normalmente acontece ao início das manifestações literárias de um povo. Primeiramente surgem os textos épicos, depois os líricos, em seguida os dramáticos, para finalmente aparecerem os filosóficos. Dessa forma, na literatura grega, temos a sequência: a) séc. VIII a.C. – Epopéia: Homero; b) séc. VII a.C. - Poesia Lírica: Safo; c) séc. VI a.C. – Teatro: Ésquilo; c) finalmente, séc. V - Filosofia, a pré-socrática; e séc. IV - os grandes filósofos Platão e Aristóteles.
A poesia lírica surge na Grécia principalmente com Safo, Alceu, Estesícoro e Alcmano. Nesta época, a poesia era a única forma de expressão literária, como é comum acontecer. Primeiro surgem os mitos (formas simples), depois a atualização desses mitos sob a forma literária: poesia e prosa artística.
Os poetas que mais influenciaram a época inicial da literatura grega foram, sem dúvida, Safo e Alceu. Eram da mesma região e também contemporâneos. Ambos escreviam no dialeto eólico, um dos muitos da Grécia. Como o nome indica, era o dialeto da região da Eólia, na Ásia Menor, onde se encontrava a ilha de Lesbos, terra natal dos dois grandes poetas.
2. SAFO (séc. VII a.C.)
Safo viveu provavelmente em meados do séc. VII a.C. Portanto, logo depois do grande épico Homero, do séc. VIII a.C. Foi ela talvez a primeira mulher a fazer poesia no mundo ocidental. É considerada a mais importante poetisa lírica da Antiguidade. Se Homero ficou conhecido como “o poeta”, ela era chamada “a poetisa”.
Segundo alguns teria nascido em Mitilene, na ilha de Lesbos, no mar Egeu. Outros, porém, afirmam ser ela de Éreso. De família nobre, teve acesso à cultura e às artes. Estudou música, canto e dança. Há que se considerar também o estágio avançado da cultura da Eólia, na Ásia Menor, pela influência da rica cultura jônica.
Provavelmente em consequencia de agitações políticas, Safo teve de deixar a ilha de Lesbos, e se transferiu para a Sicília, para onde também foi desterrado o poeta Alceu. Segundo alguns, foi aí que morreu já com certa idade, pois, por essa época, confessara-se uma geraitera, “um tanto idosa”.
Segundo descrições, teria sido mulher de exuberante beleza e de grande atrativo pessoal, principalmente por seus olhos negros. O historiador Plutarco (entre os séc. II e I a.C.) a chamou “A Bela”. Para o poeta Alceu, Safo era aquela de “cabelos violetas e sorriso de mel.” Para o historiador Estrabão, Safo era maravilhosa tanto física como moralmente. Com tais atrativos e conduta livre, atraiu homens e mulheres. Teria casado e tido uma filha de nome Cleis, a quem dedicou um poema.
Viúva do marido, um industrial da Sicília, tornou-se rica e exigente em termos de bem aproveitar a vida. Retornou a Mitilene E passou a viver faustosamente. Teria dito que necessitava de luxo como do sol.
Safo buscou partilhar seus conhecimentos com outras jovens. Criou um espaço de arte e cultura, que passou a ser considerado a primeira “Escola de Aperfeiçoamento”. Não seria exatamente uma escola, mas um templo de adoração às musas. Ali, ela instruía suas companheiras em música, dança e poesia e havia também ritos de adoração à deusa Afrodite. Por seus dotes culturais e físicos, Safo não só ensinava como também inspirava as suas hetaíras (o grego hetaíra, inicialmente companheira).
Como a Escola passou a ser denunciada pelas atividades desenvolvidas, os pais começaram a preocupar-se com o que suas filhas ali aprendiam. Com a desistência de muitas delas, a Escola entrou em declínio, até que fechou pela saída da hetaíra preferida de Safo, a jovem Átis. Falhou a “experiência pedagógica” de Safo na ilha de Lesbos (de onde provém o termo lesbianismo).
O grande golpe amoroso sofrido com a perda de Átis inspirou a Safo um de seus mais belos poemas de amor. Aqui, duas estrofes:
"- Mas, ah, que triste a nossa sina!
Eu vou contra a vontade, juro, Safo".-
"Seja feliz", eu disse.


E lembre-se de quanto a quero.
Ou já esqueceu?
Pois vou lembrar-lhe
Os nossos momentos de amor.


Segundo o poeta latino Ovídio (séc. I. A.C.), Safo na idade madura teria voltado a amar os homens. Há inclusive uma lenda segundo a qual teria se suicidado ao saltar de um rochedo pela paixão não correspondida por um jovem barqueiro de nome Faón. Em outras narrativas, Safo teria morrido conformada com a sua idade. Segundo ela própria, encontrava-se cheia de rugas, e sem poder compartilhar novos tálamos. Segundo ela: “o amor já não me alcança com o açoite de suas deliciosas penas”.
Segundo Quintino Cataudella: “Para muchos de los antiguos, Safo es digna de admiración. Para Estrabón, es pura, pero es condenable moralmente para otros, es una viciosa, una mujer de malas costumbres; evidente­mente, la condena moral surgió cuando se dejó de comprender la ver­dadera naturaleza de aquel sentimiento, substraído a su ambiente y a su tiempo y visto a una luz que no era la suya, según un criterio que no podía convenirle, tan lejanos se hallaban el espíritu y la atmósfera moral en que había brotado”.


3. A OBRA
Safo teria escrito nove livros de poemas. Sua poesia engloba odes, epitalâmios, elegias e hinos. Infelizmente, chegaram até nós fragmentos de poemas e talvez uma única ode completa.
A matéria poética de Safo, como não poderia deixar de ser, era o amor, o amor puro, mas também o amor erótico. A sua linguagem, no dialeto eólico, procurava ser simples e natural. Exprimia a ternura, o amor apaixonado e apaixonante, mas também as desilusões do amor. Tudo isso numa métrica própria.
Recentemente, em 2004, foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha., um poema de Safo em um papiro do séc. III a.C. Foi publicado no ano seguinte, em 2005. O poema expressa o amor de Safo por suas companheiras na ilha de Lesbos. Foi traduzido do grego, em forma livre, por Martin West, da Universidade de Oxford:


Vós, meninas, entusiasmem-se com os carinhosos presentes
Das musas de seios perfumados e com a lira clara e melodiosa:
Mas o meu outrora macio corpo, agora velho
Enrijeceu; meus cabelos tornaram-se brancos, em vez de negros.


Pelo conteúdo, pode-se deduzir que se trata de obra da sua velhice. Nele, a poetisa incentiva as jovens ao amor, embora ela mesma, pela idade, já não se considere a amante de outros tempos.
4. ALGUNS TEXTOS POÉTICOS (geralmente fragmentos ou poemas reconstruídos):


1. A ÁTIS
Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falascom tal doçura


e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai a minha voz,


a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,


e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.


Este é um dos mais famosos textos de Safo. É inspirado no amor que a unia a Átis, uma de suas ex-alunas e sua amante preferida. Dele, há várias adaptações e traduções. A mais famosa é a do poeta latino Catulo (séc. I a.C.), que começa com o verso: “Ille mi par esse deo videtur” = literalmente, “Ele para mim vejo ser igual a um deus”.
Analisando este poema, ninguém mais do que Longino, em O Sublime, afirma: “Não admiras como, no mesmo momento, ela pro­cura a alma, o corpo, o ouvido, a língua, a visão, a pele, como se tudo isso não lhe pertencesse e fugisse dela; e, sob efeitos opostos, ao mesmo tempo ela tem frio e calor, ela delira e raciocina (e ela está, de fato, seja aterrorizada, seja quase morta); se bem que não é uma paixão que se mostra nela, mas um concurso de paixões!”.
Outros exemplos da poesia de Safo:
2. Dominada pelo amor e para confessar o mais intenso sentimento, inicia por comparar a sua amada à mais bela das mulheres, porque só assim faria justiça à beleza dela:


Quando eu te vejo, penso que jamais
Hermíone foi tua semelhante;
que justo é comparar-te à loura Helena,
não a qualquer mortal;






Oh, eu farei à tua formosura
o sacrifício dos meus pensamentos,
todos eles, eu digo, e adorar-te-ei
com tudo quanto eu sinto.


3. O local é apropriado para viver um grande amor, daí o convite para que venham todos gozar as delícias desse sentimento, bebendo a doçura em taças de ouro. Destaque para a metáfora “taças de ouro”:


Eu vos rogo, ó cretenses, vinde ao templo:
ao redor há um bosque de macieiras,
e dos altares sempre se levantao odor do incenso.


Aqui a água fria rumoreja calma,
em meio aos ramos; cobre este lugar
uma sombra de rosas; cai o sono
das folhas trêmulas.


Aqui num campo onde os cavalos pastam
desabrocham as flores do carvalho
e os anetos exalam seu aroma
igual ao mel.


Apanhando grinaldas, vem, ó Cípris,
e dá-me um pouco desse claro néctar
que tão graciosa serves para a festa,em taças de ouro.


4. Como verdadeira mestra ensina a sua discípula a preparar-se para o amor. As deusas da beleza acolhem aquelas que se enfeitam:


Com as meigas mãos, ó Dice,
trança ramos de aneto,
e põe essa coroa
em teus cabelos:


fogem as Graças
de quem não tem grinalda,
mas felizes acolhem
quem se enfeita de flores.


5. Só mesmo quem conhece profundamente o amor pode descrever o que causa esse sentimento nos amantes:
O amor, esse ser invencível, doce e sublime
que desata os membros, de novo me socorre.
Ele agita meu espírito como a avalanche
sacode monte abaixo as encostas. Lutar
contra o amor é impossível, pois como uma
criança faz ao ver sua mãe, vôo para ele.
Minha alma está dividida: algo a detém aqui,
mas algo diz a ela para no amor viver...


6. Nostálgica, a poetisa sofre, à noite, o gosto amargo da solidão:


A lua já se pôs,
as Plêiades também:
meia-noite; foge o tempo,
e estou deitada sozinha.


7. Misturando a temática amorosa da mulher inacessível com as histórias de moral, como nas fábulas, a poetisa compara a impossibilidade ao esquecimento como uma espécie de consolo àqueles que tentaram e não conseguiram:


Como a doce maçã que rubra, muito rubra,
lá em cima, no alto do mais alto ramo
os colhedores esqueceram; não,
não esqueceram, não puderam atingir.


8. Filosófica, meio moralista, Safo enfoca a temática do belo e do bom como categorias estéticas:


Quem é belo
é belo aos olhos — e basta.
Mas quem é bom
é subitamente belo


5. APRECIAÇÃO CRÍTICA
Dentre os gregos, Safo era considerada uma dos chamados "Nove Poetas Líricos". Sua poesia é das mais sublimes, no entanto, devido ao conteúdo erótico, foi censurada na Idade Média e, assim, só chegaram poucos poemas e alguns fragmentos. Só no fim do séc. XIX arqueólogos ingleses descobriram sarcófagos envoltos em pergaminho. Em um deles, aproximadamente 600 versos eram legíveis.
Elogiada em todos os tempos, Estrabão afirmou que não sabia de nenhuma outra mulher com a genialidade e talento poético da grande poetisa de Lesbos. Baudelaire declara: "Safo viril, amante e poeta, mais bela do que Vênus, na palidez melancólica..."
Os textos de Safo em todos os tempos provocaram e continuam a provocar os sentidos. Eles nos mostram a paixão desenfreada, a perdição, mas também o amor puro e a delicadeza de seus sentimentos. Só assim poderia ter influenciado tantos poetas de Catulo a Ovídio, de Byron a Tennyson. de Baudelaire a Verlaine até chegar a Ricardo Reis (Fernando Pessoa) para citar representantes da poesia da Antiguidade, da época moderna e da atualidade.
Só a força de uma autêntica poesia, uma obra de arte, poderia ter encantado pessoas de todas as épocas e influenciado tantos outros poetas. Essa poesia encantadora é a da poetisa Safo, também ela uma mulher encantadora.




Safo de Lesbos


Postado por Jayme Ferreira Bueno