Lésbicas lindas

Lésbicas lindas
As imagens esteriotipadas de lésbicas com aspecto masculino e vestindo roupas masculinas tendem a desaparecer

domingo, 3 de julho de 2011

HOMOSSEXUALIDADE FEMININA


HOMOSSEXUALIDADE FEMININA

Sylvia Faria Marzano

            Existem várias teorias do porque uma pessoa é homossexual. Seja por influência ambiental, genética ou da formação psicológica; uma coisa é certa, ninguém opta por ser homossexual. Esse tipo de relação, de comportamento, é visto como uma orientação do desejo. Mas, esse conceito é recente, visto que somente em 1993, a Organização Mundial da Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença, passando a ser uma condição da personalidade humana. O Conselho Federal de Psicologia passou a condenar as promessas de tratamento para reverter a homossexualidade em 1999.
            Picazio (psicólogo e psicoterapeuta, 1998) acredita que todos nós recebemos desde cedo uma carga muito grande de valores negativos em relação a pessoas com orientação homossexual. Por isso, acabamos por repetir os comportamentos preconceituosos para rebater algo que não queremos para nós. Essa atitude dificulta  tanto a aceitação da diferença, como a própria auto-aceitação de uma pessoa que venha a se perceber homossexual, pois ela acredita que será condenada a ser tudo o que ouviu falar de ruim sobre os homossexuais.
            A aceitação de casais homossexuais masculinos sempre foi maior, como se identifica na mídia escrita ou falada. Ao contrário, o preconceito contra o homossexualismo feminino ainda persiste na sociedade e nas leis que ainda fecham os olhos para sua existência.
              Não temos a pretensão de determinar como se inicia a homossexualidade. Mais importante que procurar possíveis causas, é fazer com que a sociedade compreenda que a homossexualidade em si não é um mal e que o problema está na solidão,na exclusão e na marginalidade que ela provoca, nessas pessoas, pelo preconceito.
            Nesta época em que vivemos, podemos dizer que a homossexualidade feminina “saiu do armário” (expressão usada por gays e lésbicas quando assumem publicamente serem homossexuais).
            A expressão lesbianismo deriva de Lesbos, ilha grega que tinha como chefe uma poetisa de nome Safo. Esta musa escreveu versos que contam livremente o amor entre mulheres e,  seus amores e paixões por sua companheiras ( seis séculos atrás). Daí os nomes safismo, sáfico, safista e lesbismo, lesbianismo, lesbiana, lésbica, passarem a ser usados como sinônimos de tribadismo (ato de uma mulher “roçar” em outra).
            Longe de nós polemizarmos em relação à definição da homossexualidade feminina, pelo fato de que “ até hoje não surgiu nenhuma teoria que trate exclusivamente do lesbianismo. As mulheres homossexuais têm sido tratadas pelos pesquisadores como as mulheres são geralmente tratadas, como o segundo sexo.”(Charlotte Wolff).
            Em meio a vários conceitos, penso serem dois mais coerentes. Lílian Federmam (1981) define o amor sáfico: “O lesbianismo descreve uma relação na qual duas mulheres trocam fortes emoções e afetos entre si. O contato sexual pode ser parte dessa relação num maior ou menor grau, ou pode estar inteiramente ausente”. Nesta mesma perspectiva, o “Grupo de Luta pela Libertação Lesbiana” de Barcelona (1981) aprofundou: “A lésbica não persegue o prazer sexual como finalidade única na relação com a companheira. Seu objetivo não é tanto o sexo, senão a busca de níveis profundos de comunicação, esferas de ternura, carinho e delicadeza. A essência do amor lésbico é a pura sensibilidade. Poder-se-ia dizer que a lesbiana sexualiza a amizade, pois a relação sexual nasce de um sentimento profundo que tem sua base no amor.”
             Charlote Wolff bem definiu em seu livro – Amor entre mulheres – “...não é o homossexualismo, mas o homoemocionalismo, que constitui o centro e a própria essência do amor das mulheres entre si.”
            O assunto Homossexualismo Feminino vem sendo apresentado na mídia no sentido de que se discutam o assunto para uma regulamentação da união homossexual. É imprescindível dar cidadania ao homossexual. Alguns países já possuem legislações nesse sentido, que normatizam essas uniões. Na Holanda já existe até lei para adoção de crianças por casais homossexuais - a adoção pode ocorrer desde que os parceiros estejam casados ou vivendo juntos. No Brasil só temos um projeto da Deputada Marta Suplicy no sentido de legalizar essas uniões, mas que muito tem que percorrer até sair das mesas dos dirigentes.
            Um ponto importante a ser discutido e que fazem esses papéis não tramitarem é a existência dos preconceitos (mitos) mais relevantes:
1-     Gays e Lésbicas são heterossexuais frustrados – FALSO – os homossexuais são pessoas que simplesmente têm um desejo natural por pessoas do mesmo sexo e que ficarão frustrados se não viverem esse desejo.
2-     Homossexualidade é uma questão de opção – FALSO – a opção é a de viverem ou não, plenamente esse desejo, que é natural.
            Em relação então, à união homossexual, Giddens (1993) a define como “relacionamentos puros”- que se constituem basicamente pelo compromisso (sem união civil, vínculo financeiro, filhos) e pela confiança total enquanto se amam e querem viver juntos. A problemática é a de se ter como base na sociedade a “família nuclear” que é a heterossexual, onde teríamos um homem e uma mulher, e as outras formas de família, as reconstituídas (em grande número atualmente com base no aumento dos divórcios e segundos ou terceiros casamentos), as monoparentais (que geram filhos sem pais ou mães) e as homossexuais.
            Em relação à adoção de filhos por casais homossexuais femininos, Carolina J.Barboza e Tânia Aldrughi, fizeram uma pesquisa com três casais observando dados importantíssimos nesse processo:
1-     A definição sexual independe de a criação ter sido realizada por pais homo ou heterossexuais. Os pais homossexuais são mais atentos com os filhos no sentido de ensinarem a confiarem mais em si próprios e em seus sentidos, para que consigam não sofrer com os preconceitos que possivelmente venham a ser vítimas.
2-     O grande papel de uma mãe formadora de uma família alternativa é mostrar aos filhos o quanto está feliz levando a vida da maneira que leva, e que sua relação é saudável e positiva.
3-     Quanto mais natural for o comportamento dos pais em relação à família que estão inseridos, mais fácil para o filho compreender que pertence a algo natural e saudável.
4-     A família é uma referência que vai permanecer por toda a vida do indivíduo. É fundamental que essa referência seja internalizada como algo positivo.
5-     Não há divisão rígida de papéis entre as parceiras. O importante é a função dos pais como fomentadores da socialização da criança, de uma forma indiferenciada.
6-     O papel dos pais como facilitadores dos filhos para lidarem com o preconceito : o importante é a verdade e a aceitação.
           
            Essas famílias homossexuais femininas surgem numa tentativa de viver de maneira mais natural possível, não desejando mostrar que são iguais, pois não são, mas que poderão merecer respeito, direitos e espaço, pois se tratam apenas de diferentes formas de relações.
            Mas, ainda fica uma questão: será que esses casais não estariam buscando a adoção de crianças, para serem mais aceitos, menos fora dos padrões, por formarem uma família chamada “alternativa” ou “diferente” ? Há realmente o desejo de ter filhos ou esse desejo é produzido pela necessidade de enquadramento no padrão familiar?
            O assunto é delicado, amplo e necessita de discussões profissionais nos níveis sociais, legislativos e executivos para o crescimento da Sexualidade Humana Brasileira.

Dra. Sylvia Faria Marzano
Diretora do ISEXP
Fones: (11) 4232-9121


Dra.Sylvia Faria Marzano 
Diretora Clínica

Dados Pessoais:
Nome: Dra.Sylvia Faria Marzano
CRM: 34295
Especialização: Urologia e Terapia Sexual, Casal, Familias e Grupos. Terapeuta em EMDR

Formação:
Formada em 1978 pela Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP);
Especialização em Cirurgia e Urologia Pediátrica de 1979 a 1982 no Hospital Infantil Darcy Vargas de São Paulo;
Médica Assistente da Urologia Pediátrica do Hospital Infantil Darcy Vargas até 1990;
Estágio no Departamento de Urologia do Children´s Hospital Boston afiliado a Harvard Medical School de Boston, MA, USA em 1996;
Médica colaboradora do Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC de Santo André, SP de 10/1997 a 07/1999.
INSTITUTO ISEXP: Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática

Rua Santa Catarina, 244 - 10a. andar - salas 1001/1003 - Centro - São Caetano do Sul - SP
CEP: 09510-120 - Fone/Fax: (11) 4232-9121 / (11) 4221-5236

51755 acessos desde 1 de setembro de 2003.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

sábado, 26 de março de 2011

Cirurgia de mudança de sexo de mulher para homem é rara

“Paciente fica satisfeito com retirada das mamas e quase nunca quer construção do pênis”, afirma médico especialista nas operações

Fernanda Aranda, iG São Paulo
Foto: Arquivo pessoal Ampliar
O transexual Xande Santos espera a cirurgia para a retirada das mamas e do útero no SUS




Xande sempre quis ser Júnior. Desde que criança, quando assimilou que seu nome de batismo “Alexandra” era uma versão feminina em homenagem a seu pai, teve a sensação de que alguma coisa estava errada. Pensava e sentia ser menino, ser Júnior. Viveu assim durante anos sem entender os motivos para o corpo não fazer jus aos seus sentimentos. Era menina só fisicamente. Todo o restante era de garoto.

Primeiro foi o corte de cabelo bem curtinho, depois as roupas, o andar masculinizado e, então, a construção da identidade máscula ficou quase completa. Ainda menstrua todo mês, “uma agressão mensal à sua personalidade”, e tem vergonha dos seios salientes que nem as camisetas mais largas conseguem esconder.

Pensou ser lésbica, teve uma filha em 1992, fruto de uma produção independente para atender aos anseios de sua relação que, na época, acreditava ser homossexual. Entendeu só em 2004 que não era uma mulher que gostava de mulheres. Era um transexual, transtorno de gênero reconhecido pela Organização Mundial de Saúde mas que não precisa vir acompanhado de nenhuma doença psíquica.

Foi aí que a Alexandra ficou mais confortável. Passou a ser chamada por todos de Xande e não gosta (e fica magoado) quando referem-se a ele usando pronomes e artigos femininos. “As mulheres que nasceram em corpos de homens têm muitas referências que ajudam elas próprias a entenderem o que são”, comenta Xande Santos, que já presidiu a Associação da Parada Gay de São Paulo e milita em favor dos direitos humanos.

“O caminho delas foi aberto com a ascensão de Roberta Close. Outras transexuais também ganharam fama (a última edição do Big Brother Brasil 11 traz como um de seus confinados Ariadna, uma transexual que está no primeiro paredão)” e a medicina trouxe alternativas”, pontua. “Nós, transexuais masculinos permanecemos praticamente invisíveis. Nossa batalha é para sair da marginalidade”, define.


Foto: Geraldo Bubniak/ Fotoarena Ampliar
Carla já foi casada e diz que hoje não quer relacionamentos. "Para me sentir completa, só falta a cirurgia."
É fato que o histórico das cirurgias de mudança de sexo tem um pioneirismo de pacientes que nasceram homens e sentem-se mulheres. O Conselho Federal de Medicina reconheceu este procedimento cirúrgico em 1997. Em 2008, as operações deste tipo passaram a ser realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde lá até novembro de 2010, foram realizadas 73 operações, uma média de uma cirurgia a cada 15 dias.

Todas as adequações anatômicas feitas em hospitais públicos foram realizadas em pessoas que nasceram homens e sentiam-se mulheres. O inverso, inclusive com a construção de um pênis, ainda é algo experimental, só pode fazer parte de protocolos de pesquisa e é considerado uma raridade nos centros especializados em mudança de sexo. A estimativa da Associação Brasileira de Transexuais é que apenas cinco cirurgias do tipo foram feitas no Brasil. Semana passada, os trans como Xande comemoraram a primeira vitória, “de muitas que ainda precisam vir". O primeiro Ambulatório de Travestis e Transgêneros, que atende pelo SUS e fica em São Paulo, anunciou que vai oferecer gratuitamente a cirurgia de retirada de mamas e útero para o público de transexuais.

Mamas, útero e trompas

Apesar destes dois procedimentos já serem recorrentes no dia a dia dos médicos – a retirada das mamas para pacientes com câncer de mama, por exemplo, e de útero para pacientes com miomas severos – eles não eram autorizados para pacientes transexuais. A realização em São Paulo vai ao encontro da regulamentação do Conselho Federal de Medicina. Pelas normas, só podem ser submetidas pessoas com mais de 21 anos e que passaram por, ao menos, dois anos de acompanhamento médico multidisciplinar. Xande dos Santos já está com o laudo que autoriza a retirada das mamas e do útero em mãos. Espera fazer em breve a cirurgia.

Construção do pênis

“No meu caso, já ficaria totalmente satisfeito com a retirada das mamas e do útero”, diz Xande. “Seria um passaporte para a liberdade, poder ir à praia, tirar a camisa em público sem constrangimento, não menstruar mais. A construção do pênis, que é uma possibilidade cirúrgica, ainda é rara, arriscada e experimental. Hoje, eu não faria”, diz ele que já sentiu na pele o peso dos procedimentos arriscados. Em 2006, sem orientação médica, ele tomou doses abusivas de testosterona (hormônio masculino) e sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVC). “Quase morri”, lembra.

O médico urologista e especializado em cirurgias de adequação de sexo, Carlos Abib Cury, afirma que os anseios de Xande são quase unânimes entre os transexuais masculinos.

“Da mesma forma que as pessoas que nasceram mulheres em corpos de homens almejam mais do que tudo a retirada do órgão sexual masculino, para os homens que nasceram mulheres o principal desconforto é a mama. Muitos ficam satisfeitos só com a retirada delas”, diz Cury que chefia o grupo de pesquisa de cirurgias em transexuais do Hospital de Base de Rio Preto e é uma das lideranças neste tipo de operação.

Cem contra um

Carlos Cury cita os números de sua carreira para confirmar como raridade a cirurgia de mudança de sexo de mulher para homem. “Na semana que vem, meu grupo vai realizar a centésima cirurgia de mudança de sexo. Elas são realizadas desde 1997. Até hoje, só fiz uma construção de pênis”, diz.

A técnica utilizada por Cury neste caso foi de estimulação clitoriana. “Em alguns casos, com doses controladas de testosterona, o clitóris aumenta de tamanho, espessura e diâmetro, ficando parecido com um micropênis. Fazemos uma operação para o descolamento desta parte do osso pubiano, uma das formas mais funcionais da operação e com menor risco de rejeição”, explica.

Além desta, Cury afirma que é possível chegar a um pênis por meio de tecidos abdominais, da coxa ou do antebraço, que depois são implantados na região sexual. “Para torná-los rígidos, colocamos próteses de silicone. O paciente não terá ereção, mas será uma área com sensibilidade, por causa dos tecidos nervosos, e capaz de penetração.”

"Pãe"

Xande Santos ainda não cogita uma transformação radical como a descrita por Cury. Para ele, o acesso à retirada das mamas e do útero será suficiente. Com isso, ele espera que a filha, hoje com 19 anos, pare de chamá-lo de pãe (mistura de pai e mãe) e use apenas o termo pai.

"É o meu grande sonho."